Um Cântaro por uma Fonte
"Então deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo: “Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo¿”
Todos já conhecemos a história do diálogo de Jesus com a mulher Samaritana, ela foi a primeira pessoa para quem Jesus se revelou, literalmente, como o Cristo (Messias, o Rei ungido), aquele a quem esperavam. Os samaritanos não se davam com os Judeus, depois da divisão dos reinos após o reinado de Salomão, Samaria tornou-se a capital de Israel, e Jerusalém a capital de Judá, os Judeus sentiam-se superiores por causa da linhagem de Davi, por isso o relacionamento entre esses povos era muito difícil e hostil.
Mas Jesus, arrisca-se e trata essa ida até Samaria, necessária, era o caminho mais curto para a Galiléia, porém o mais evitado, mas Jesus queria dar um ponto final nessa divisão, e incluir os samaritanos na promessa da verdade, e revelar a eles seu plano de salvação.
Era necessário todo o processo começar pela vida da samaritana, sua mudança criaria uma “reação em cadeia”, a alegria daquela mulher contagiou e provocou o interesse por Jesus.
Jesus pediu o que ela tinha para oferecer, ela resistiu e tentou um diálogo sobre o legalismo que foi imposto a ela, a surpresa de um judeu estar ali conversando com uma mulher samaritana, naquela época um homem sozinho não conversava com uma mulher e tão pouco judeus e samaritanos.
Jesus estava começando a esclarecer coisas espirituais, porém suas feridas não a permitiam enxergar o que ele estava propondo, ela usa de ironia para mascarar sua falta de esperança em um concerto em sua vida, não tinha mais expectativa de evoluir para a um lugar ou posição onde se sentiria digna, amada e inclusa novamente. Mas Jesus estava propondo algo sobrenatural, duradouro, eterno, através de Sua vida em nós.
Por mais que ela não tivesse entendido o que Jesus estava a propondo, ela sabia que a idéia de beber de uma água que ela não precisasse mais voltar a buscar, seria uma solução para seu problema social. Então Jesus faz a pergunta que confrontou seu pecado, porque o que Ele tinha a dar era algo pra ela e sua casa, e eu, imagino a tristeza no seu olhar e o desapontamento por não ter o que ele a pede, sobre seu casamento.
Os olhos dela se abriram quando ela descobriu que ele já sabia tudo que precisava saber sobre ela, então já não resistiu ao confronto e concerto.
Ela criou estruturas para sobreviver; fortalezas se formaram para sua "defesa" para seu coração desapontado.
Ela não podia acreditar que pudesse existir alguém, como Jesus, que rompesse todas as “regras” da época para lhe dedicar atenção, poderia ter pensado que como ela foi tão roubada, seria mais um que tinha interesse no que ela poderia oferecer, seu cântaro. Demorou um pouco até perceber que Jesus não estava falando de coisas naturais, mas espirituais.
Jesus foi até ela porque sentiu sua sede pela verdade e de sua tristeza, por não haver mais esperança para ela no sentido de estabelecer novamente um relacionamento com Deus.
A sua dúvida e suas dores deram lugar a frustração onde seria o lugar da adoração. Por isso os tantos relacionamentos, para preencher seu coração machucado pela religiosidade e dúvida quanto a quem, onde, e como dedicar sua adoração.
Jesus deu muito mais do que atenção e revelação a ela, deu uma direção, inclusão, sentido, função e propósito, sua vida não seria mais fadada a sua reputação, mas a propagação e divulgação do motivo de sua mudança e incluída no ambiente de adoração.
A sede foi saciada, mas ela não “represou” a água que recebeu, repartiu com sua comunidade e contagiou a todos com sua sede os direcionou a sua fonte, e tornou-se dependente da fonte.
Ela jorrou do que recebeu a outros, e as palavras que saíram se sua boca impulsionou a outros para a verdade. A ponto das pessoas conferirem sobre quem ela estava falando, comprovarem e testificarem, e seu propósito foi cumprido, porque o caminho foi apontado, mas sempre chega o momento de encontro com ELE, e então se torna nosso ponto de chegada.
A exposição já não era um problema para ela, quem ela encontrou a posicionou e a capacitou novamente, trouxe a dignidade perdida e a convivência, suas mazelas já não a definiam mais, mas a mensagem que recebeu era a explicação para tudo estar disfuncional e apático, e a resposta para uma longa dúvida em seu coração, seu entusiasmo por descobrir que o lugar de adoração era dentro de sí e que ela poderia carregar a presença de Deus aonde ela fosse, fez ela recobrar o ânimo e o desejo de se relacionar, porque é isso que Jesus faz, toca em nós e consequentemente, tocamos outros, repartiu sua descoberta a outro.
O encontro com Jesus, foi tão transformador, que revelou a mulher que Deus a criou para ser.
Deixou seu cântaro e se tornou uma fonte.
As lições que esse diálogo traz a nossas vidas são muito preciosas:
Deus restaura seu convívio social, quando tem um encontro com Ele
Tentamos entulhar, arrumar distrações para nossas frustrações, mas Deus quer que vivamos em Espírito e verdade.
Não podemos nos esconder de Deus, Ele sabe quem somos e o que fizemos, Ele nos recebe e a capacitação vem Dele
Nós resistimos muitas vezes a verdade que Deus quer nos revelar, usamos nossas defesas para esconder nossas mazelas, o amor de Deus nos confronta para que possamos romper tudo isso e nos libertar do isolamento.
A Samaritana foi esclarecida a respeito de seu ministério, seu coração foi curado, sua fé restaurada, seu propósito e identidade foram firmados.
Ela deixou o Rio de água viva passar em sua vida e se tornou uma mulher conhecida até os dias de hoje.


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